
Para
Eduardo Lenzi
Há um quadro de Klee, que se chama Angelus Novus. Representa um anjo que parece querer afastar-se de algo que ele encara fixamente. Seus olhos estão escancarados, sua boca dilatada, suas asas abertas. O anjo da história deve ter esse aspecto. Seu rosto está dirigido para o passado. Onde nós vemos uma cadeia de acontecimentos, ele vê uma catástrofe única, que acumula incansavelmente ruína sobre ruína e as dispersa a nossos pés. Ele gostaria de deter-se para acordar os mortos e juntar os fragmentos. Mas uma tempestade sopra do paraíso e prende-se em suas asas com tanta força que ele não pode mais fechá-las. Essa tempestade o impele irrestivelmente para o futuro, ao qual ele vira as costas, enquanto o amontoado de ruínas cresce até o céu. Essa tempestade é o que chamamos progresso.

ooowwww
ResponderExcluirCarai,,, roubou minha ideia,,,
rs
Ficou legal... onde foi q vc tatuou? não identifico se é braço!!!
abraç
Virgo
Quando releio esta passagem, quase sempre penso em três coisas:
ResponderExcluir1) No futuro (como horror sem fim). Apesar do horror que provoca, a história talvez ainda seja algo que o anjo suporte ver. Ao futuro, o anjo vira as costas – por quê? Por que o anjo da história não se vira para frente, para ver o futuro? Penso que talvez ele saiba – de algum modo – que o horror do porvir é infinitamente maior que o horror do passado. Do horror sem fim do futuro talvez o anjo não suporte a visão.
2) No futuro (como desespero). A tempestade do progresso sopra do paraíso em direção ao futuro, e arrasta o anjo consigo – esse futuro, que é cada vez mais distante do paraíso, parece-me cada vez mais profundo na vacuidade celeste, para a qual o anjo talvez não suporte olhar, já que lhe vira as costas. A horrorosa visão - através dos escombros - do paraíso a se distanciar talvez seja mais reconfortante que virar o rosto para o nada. O horror do passado talvez seja melhor que a falta de esperança (que o desespero) do futuro.
Mas penso nisso e depois dis-penso.
3) Num diálogo do Ulisses do Joyce.
“- Parta! – disse [o editor]. – O mundo está a sua frente.
- Volto num instante – disse o Sr. Bloom, saindo apressado.”
Mas issos tudos são apenas talvezes.
Obrigado pela lembrança. Abs.
e.l.
Obs: A tatuagem é em você?
nossa, num sei se acho legal ou fico assustado, se Benjamin estivesse vivo você o estaria stalkeando... tsc...
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