sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Lei, Kafka e Pai

A "Lei" tão postulada e discutida pela psicanálise, assemelha-se muito à metáfora do livro de Franz kafka "O Processo". Ela é tão arcaica e guardada por tantos porteiros-soldados que é quase impossível chegar a sua verdade. Isto não é fortuito, já que sua procedência é suja, baixa, e obscena. Talvez os soldados a guardem sejam os mecanismos de defesa do sujeito, que resguardam não só a Lei, mas protegem também o individuo de entrar em contato com a ignominia da Lei. Por sua herkunft, a Lei viu-se obrigada ao longo da história a apresentar-se sempre com um invólucro de algo sacro como por exemplo Deus, Pai, Justica, Juiz etc..Talvez kafka, que não pode ser reduzido a categorias psicológicas, tenha descoberto a verdade da Lei, mas por respeito a seu Pai, a manteve trancada a sete-chaves. Suponho que "O Processo" seja uma metáfora dos processos inconscientes, que ocorrem à revelia do sujeito, e que quase sempre acabam por condená-lo sem reservas.

2 comentários:

  1. gostei disso aqui, mas lendo e relendo fui pensando uma série de coisas. a última frase é a que mais gostei, mas tbm tenho minhas dúvidas, afinal, o que condena o sujeito? todos os processos incs ou aqueles relativos ao supereu? mas talvez vc esteja certo mesmo, afinal, uma "vitória" daquilo que está incosnciente, e que pra psicanálise diz da verdade do sujeito, não seria ao mesmo tempo a derrota do indivíduo???? por outro lado, a pasicanálise aposta na reconciliação de ambos né, incs e consciente...

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  2. interessantissimo essa analogia sua!!

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