Sou um homem medíocre. Mas sou um homem medíocre com pretenções no mundo do Espírito; pior, pro Espírito. Mas o que pode um homem medíocre como eu fazer pelo Espírito? Só há na verdade uma coisa que um homem medíocre possa fazer para sair de sua mediocridade: reconheçer o Gênio. Eis a única contribuição que posso dar ao Espírito de nossa Época, se é que nossa época ainda tem Espírito.
Mas quem é o Gênio? O Gênio é aquele que, mesmo sem estudar nas melhores escolas, sem ter sido criado nos meios mais refinados, sem ter escutado Alban Berg e Schoenberg na sua infância, sem ter sido levado pelas mãos de seus pais a museus, mesmo não tendo quase nenhuma condição objetiva, faz o milagre da cultura. Isto é o Gênio: aquele que num gesto quase que d'um Moisés tira água da pedra.
Eu julgo ter encontrado esse Gênio, seu nome é E.L -- como E.L é um homem muito reservado, e eu respeito sua reserva, por enquanto o chamarei apenas por suas iniciais--ele mora em D., interior do Brasil.
Há muitos anos que conheço E.L. Sempre o tive em altíssima conta, sempre o considerei um homem de inteligência incomum, astuto, no bom sentido; e o melhor: E.L nunca respeitou a divisão social do trabalho no mundo do Espírito. História, Sociologia , Filosofia, Arte e Literatura, tudo foi alvo de seu faminto interesse, sendo que esse traço de seu carater sempre considerei seu aspecto mais distinto. E.L é um erudito, mas diferentemente dos eruditos, nele a cultura vive, pulsa, da piruetas; nada se reifica.
Como ia dizendo, conheço o homem E.L há muitos anos; mas o Gênio E.L só vim a conheçer semana passada. E como deu-se esse encontro com o Gênio? Bem, como disse lá em cima, tenho pretensões no mundo do Espírito, por isso quando fui à sua casa, no interior do Brasil, levei comigo quatro ou cinco aforismos de minha autoria. Lá, depois de vinho e muito canhamo, expus meus escritos. E.L e sua esposa F. tiveram a paciência de ouvir minha lenga-lenga. No outro dia, acho que inspirado pela minha audácia de expor coisas tão pueris, E.L com muito custo deixou escapar uma frase de sua autoria. Confesso que na hora foi bem dificil pra mim entender o que ele realmente queria dizer. E.L não gosta de explicar seus escritos, e tudo ficou por isso mesmo. Na volta pra minha casa em Maringá, vim tentando decifrar o que aquela frase significava, depois de indas e vindas no pensamento a coisa revelou-se pra mim. Antes que eu continue falando, devo confessar uma coisa: ha alguns anos atras, eu e E.L fizemos um curso de Estética juntos, a avaliação deu-se em forma de trabalho. E.L obviamente tirou 10 em seu trabalho, quando vi minha nota-- 9,5 -- subiu-me um amargor na boca, era meu ser sendo tomado pelo pecado capital da inveja. Pois bem, só contei essa pequena história pra dizer que, ao entender sua frase, o mesmo amargor subiu-me novamente. Como esse ser ousa escrever tão melhor que eu? -- sim, eu sou um ser tomado de uma megalomania tremenda -- e, pior, como ousa escrever tão bem e não me mostrar tudo? dar-me só uma frase, se eu sofro de delírio de grandeza? E.L certamente tem traços de Sadismo. Resumindo: eu cheguei a D. pensando ter em meus dedos o Anel dos Nibelungos e só tinha merda. E.L ao nos mostrar toda merda do mundo, tem em suas maõs o Ouro do Reno.
Ainda falta falar de E.L como ator e títere.....mas isso fica pra uma outra ocasião.
domingo, 15 de agosto de 2010
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Pra mim, se num é um novo Goethe em potencial, então não é gênio!!! E olha que falo com conhecimento de causa hein...
ResponderExcluirPor outro lado, cada época tem o gênio que merece e, caso o post tenha de fato alguma correpondência com a realidade, isso significa que vamos de mal a pior!!!!! Deus perdeu o controle, e ninguém põe ordem na casa do capeta!
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